“Armas matam muito mais!!”

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Por ser instrutivo, reproduzo aqui o diálogo que tive com uma prima há poucos dias, no grupo de whatsapp da família. Ela iniciou a conversa, e eu respondi:

(…) E só pra concluir: falta de amor mata. Mas armas matam muito mais!!

– Nas mãos certas, armas também impedem muitos massacres. Em si mesmas, as armas são absolutamente inocentes.

E quem seriam as “mãos certas”? Mãos são regidas por cabeças/cérebros, que não são inocentes… Pessoas mudam de humor e matam. Têm diferenças religiosas e políticas – e matam… As armas são inocentes… os supremacistas brancos de hoje na Nova Zelândia, não.

– Exatamente. O problema é o coração do homem, não as armas. Proibi-las por lei não vai atrapalhar em nada os atos dos homens maus, que não se importam com leis, e prejudicará somente os que desejam ter armas (registradas) para se defenderem. É interessante observar que o próprio Jesus ordenou em certa ocasião que seus discípulos portassem armas, conforme o evangelho de Lucas 22.35-38, embora ele não fosse chefe de um grupo guerrilheiro.

Ok, num momento decisivo, quando os que perseguiam e matariam Jesus também perseguiriam seus seguidores. Em todo o restante do evangelho, Jesus apresenta apenas paz, amor (inclusive pelos inimigos) e ira com a mercantilização da mensagem de Deus. Desculpa, mas não consigo reduzir os ensinamentos de paz, amor e empatia do Novo Testamento a esses 3 versículos de Lucas 22.

– A mensagem de paz, amor e empatia do Evangelho não dá direito a ninguém de OBRIGAR terceiros (por meio de leis, ameaça de prisão – e armas) a se desarmar! É EVIDENTE que o desarmamento compulsório só concentra mais poder nas mãos de uma minoria – cada vez mais bem armada, óbvio. Tanto é assim que as políticas públicas desarmamentistas são obrigadas a usar de sentimentalismos para convencer os incautos: “armas matam; crianças podem morrer; arma: ou ela ou eu”, etc.

O Estado deveria se concentrar em reprimir a compra e venda ilegal das armas – e não em legalizá-las. Ter armas não tranquiliza ninguém, só traz mais medo a todos.

– “O Estado deveria se concentrar em reprimir a compra e venda ilegal das armas”: perfeito, esse é o papel dele, separar o legal do ilegal com vistas ao bem comum, e não igualar gente honesta a malfeitores.
Todos os massacres e genocídios perpetrados ao longo da história da humanidade se deram após o desarmamento civil pelas autoridades. No século passado começou em 1915 na Armênia pelos turcos, nos anos 1930 na Ucrânia e na Alemanha, depois na China, Camboja, e assim será até o fim dos tempos.
Esta é a última vez que falo sobre o assunto. A ideia do desarmamento total da população é inerentemente totalitária e, em última instância, diabólica. Qualquer um que seja favorável a isso é ou mal informado (inocente útil) ou mal intencionado (mau caráter).

Ainda somos tribais

No dia 30/01/2019 o jornal Gazeta do Povo (Paraná) publicou uma excelente e esclarecedora entrevista do filósofo Francisco Razzo com o biólogo e geneticista Eli Vieira. Recomendo a leitura completa. Alguns trechos:


Nesta entrevista você terá a oportunidade de conhecer uma visão muito provocadora sobre o atual debate da transexualidade, como a biologia pode nos ajudar a pensar a construção da identidade, por que o relativismo é simplesmente um absurdo, como as “minorias” devem ser protegidas e quais os riscos sociais das chamadas políticas identitárias.

– Como você entende o atual debate da transexualidade?

Eli: É uma guerra de absurdos sendo atirados de todos os lados…

– Há um “lugar-comum” que diz que “a teoria de gênero não pode ter respaldo na biologia”; afinal, qual a importância da biologia na construção da identidade de gênero (se é possível falar assim)?

Eli: Estou de acordo com a filósofa Helena Cronin: a invenção do termo “gênero” só nos atrapalhou a entender melhor o sexo. O sexo, em seres humanos, é um fenômeno complexo o suficiente para ter expressões sociais e culturais…

– Na sua opinião, as chamadas “minorias” devem ser protegidas politicamente?

Eli: À primeira vista parece que sim, se houver evidência de que são alvo diferencial de dificuldades que não ocorrem aos outros cidadãos…

– Quais os riscos das “políticas identitárias” para o desenvolvimento do trabalho científico?

Eli: (…) Pelo que indicam as evidências, não é o racismo, a homofobia, ou a misoginia que estão em grande parte nos genes, mas uma tendência ao tribalismo. Nós somos capazes de usar qualquer coisa, inclusive identidades políticas abstratas, para nos dividirmos em tribos, passando a agir de forma condescendente/simpática a quem consideramos confrades e de forma hostil/desconfiada a quem rotulamos como estranhos ao nosso grupo. São vieses de fábrica da nossa natureza…

Insistir nos marcadores de identidade ao fazer política… é receita certa para exacerbar racismo, homofobia, misoginia etc. Ao menos em se tratando de marcadores de identidade que são ideias, mudar de ideia é possível, embora raro, quando o tribalismo tem essa natureza.

Quando o tribalismo é baseado em características identitárias que não escolhemos e das quais não podemos nos livrar, o prognóstico de longo prazo é o desastre, mesmo que a intenção de curto prazo seja a defesa de oprimidos.”

www.gazetadopovo.com.br/colunistas/francisco-razzo/permanecermos-tribais/

Feministas radicais e conservadores se juntam para combater a ideologia “trans”

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Austin Ruse | 31 de janeiro, 2019

WASHINGTON, D.C. 1 de fevereiro (C-Fam) – Jazz Jennings, transexual de dezessete anos, celebrou sua castração com um “bolo de pênis” que ele alegremente cortou em pedaços enquanto seus amigos e familiares aplaudiam.

Esta foi apenas uma das muitas esquisitices discutidas em um painel da Fundação Heritage nesta semana, que apresentou feministas radicais em oposição à poderosa ideologia transgênero que parece estar varrendo o país e especialmente as escolas.

A lésbica Julia Beck contou sua história de expulsão da Comissão LGBT em Baltimore pela “violência” que ela cometeu: ela se recusou a usar pronomes femininos para um estuprador masculino encarcerado. O homem continuou a estuprar mulheres prisioneiras na prisão de mulheres para a qual ele foi enviado. Ela (Julia) foi forçada a sair da Comissão LGBT pelo presidente, um homem que se apresenta como mulher e se considera uma lésbica.

Jennifer Chávez, da Frente de Libertação das Mulheres, leu os depoimentos de várias mães cujas filhas foram atingidas com o que veio a ser conhecido como disforia de gênero de início súbito. Uma mãe descreveu a transição da noite para o dia seguinte de uma “menina carinhosa” para um “homem pansexual odioso de boca suja”. Embora diagnosticada com TDAH, depressão e ansiedade, os médicos só quiseram ajudar na “transição” dessa menina. A mãe foi forçada a reunir-se com um conselheiro transexual que lhe disse que ela tinha que aceitar a nova identidade de sua filha. Sua filha mudou-se para o Oregon, onde os médicos realizaram uma mastectomia dupla e uma histerectomia radical. Ela disse que sua filha agora está desabrigada, morando na rua e sofrendo de doença mental.

O Dr. Ryan Anderson, autor de When Harry Became Sally: Responding to the Transgender Moment, mediou a conferência. Ele disse: “A identidade de gênero é baseada no senso interno de um indivíduo de ser um homem ou uma mulher, ou ambos, ou nenhum dos dois. Ela existe ao longo de um espectro e pode ser fluida, é inteiramente arbitrária e auto-atribuída, e bastante incoerente. Ora, não é totalmente claro o que significa “se sentir mulher”, ou como eu saberia se me sentiria uma, ou por que “me sentir mulher” – o que quer que isso signifique – me tornaria, de fato, mulher. Como resultado, se a identidade de gênero se tornar uma categoria protegida na lei federal de direitos civis, haverá sérias consequências negativas”.

Este foi um tema comum no painel. “Identidade de gênero” não tem significado real. Kara Dansky, advogada associada à Frente de Libertação das Mulheres, disse que a questão não é “sobre a lei, mas sobre a falência intelectual da ideologia de identidade de gênero e a importância da linguagem. Ninguém realmente sabe o que essas palavras significam. Todas as definições de identidade de gênero reforçam os estereótipos sexistas ou são completamente tautológicas ”.

Tanto homossexuais masculinos quanto femininos apontam os estereótipos sexuais “retrógrados” associados à ideologia trans. Meninos que podem ser femininos são agora considerados garotas trans. Garotas que gostam de azul e escalam árvores são consideradas transexuais. O painel de autoproclamadas feministas radicais empalidece diante de tais estereótipos: seu movimento lutou contra eles por décadas.

O painel foi organizado na Fundação Heritage, um centro de estudos conservador, porque nenhuma organização de esquerda estava disposto a sediá-lo. Os palestrantes fazem parte de um movimento maior chamado Hands Across the Aisle: pessoas de todos os tipos que fazem causa comum sobre essa questão, salvando garotos e garotas da ideologia trans.

A lésbica Julia Beck terminou sua palestra quase em lágrimas dizendo: “Estou aqui porque me importo com as mulheres e suspeito que você também”. A casa lotada de conservadores aplaudiu.

( Tradução livre do original: https://c-fam.org/friday_fax/radical-feminists-conservatives-join-fight-trans-ideology/ )

De olhos fechados

Pierre Charles, SJ*

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Se refletirmos alguns instantes no que somos, não tardaremos a verificar que os momentos mais decisivos de nossa vida não são as horas em que falamos, nem tampouco aquelas em que agimos diante dos homens. As horas mais importantes de nossa vida são justamente as mais silenciosas.

Porque é no silêncio da alma que se elaboram as resoluções aparentemente mais repentinas, e é em segredo que se continuam e consumam as desagregações e as ruínas, e que se fortificam também, lentamente, as fidelidades que se mostram inalteráveis na provação. O que se vê nada é, ao lado do que permanece escondido em nós.

Sabemos que há no fundo de toda alma humana um refúgio que nenhuma afeição pode entreabrir, nenhuma violência forçar. Conselhos, ameaças e ordens podem chover sobre esse abrigo interior; jamais conseguirá alguém infiltrar-se sorrateiramente nesse retiro que nos pertence exclusivamente a nós, ou nele penetrar à viva força. Ninguém pode querer em nosso lugar, amar por nós ou viver em nosso nome. A responsabilidade do que quer que façamos é nossa, e só nossa; apesar das aparências, vivemos sós, morremos sós, pecamos sós, e só a nós pertence a iniciativa do arrependimento.

E, todavia, isto não é inteiramente verdadeiro. No momento em que penetramos no deserto interior, verificamos que ele é habitado por uma presença invisível; no momento em que nos fechamos no cenáculo íntimo, vemo-nos repentinamente em face de alguém a quem nenhuma porta fechada pode impedir a entrada, pois onde quer que se ache está sempre em sua casa; no momento em que nos acreditamos sós, descobrimos que a solidão é impossível, e que na origem de nossa consciência, no ponto de partida de nossas decisões, aquele que nos criou e nos redimiu se interessa por nós, vigia, dirige e colabora conosco. Somos invadidos, ocupados, não podemos fugir a esse Deus cujo verdadeiro nome é o Inevitável; e quando fechamos os olhos para não ver, não o suprimimos, do mesmo modo que o sono não faz cessar a tempestade.

Por isso o cristão que ora recolhe-se, isto é, encontra-se a si mesmo, desliga-se de todos os mestres fúteis, de todas as mãos estranhas, de todos os desejos tenazes, que o dividem e impedem de ser o que é.

Olhos fechados – Para se recolher, fecha os olhos. Será para nada ver, como fazem os tímidos e os hipócritas? Não, mas para ver tudo, sem ser fascinado por coisa alguma. Imaginamos que o verdadeiro céu é o céu dos dias luminosos. Não, o verdadeiro céu é o céu da noite, e a claridade o esconde logo que brilha o sol. Fechemos os olhos para contemplar na noite pacífica o céu de nossa alma, constelado de luzes da graça.

O velho gesto tradicional das mãos postas e dos olhos fechados tem um sentido profundo, que os distraídos ignoram. Olhos fechados! Para orar, basta isso, se as palavras não acorrem aos vossos lábios e se não achais nada a dizer àquele que é a Verdade. Olhos bem fechados, como os daqueles que recebem o anúncio de alegrias inesperadas, cuja amplitude ultrapassa as maiores esperanças; olhos bem fechados, como os daqueles que ouvem a notícia de infortúnios demasiado grandes para lágrimas e procuram no último recesso da alma uma certeza a que se apegar; olhos bem fechados, como os dos servos fiéis, dos vossos servos, ó meu Deus, que dormem na paz de seu último sono, envolvidos no vosso perdão redentor… Todos esses conservam os olhos fechados, porque não querem saber da luz crua do sol, e porque já nada significa para eles o brilho falaz das coisas.

Dai-me viver assim, de olhos fechados, num recolhimento isento de ignorância e de inércia, mas penetrado de concentração ardente e de luz interior. Porque é justamente isso que se passa nos refolhos de minha alma, que é vossa obra por excelência; e minhas horas silenciosas são aquelas em que falamos, os dois, olhando-nos face a face. Nunca entrei em mim, sem vos encontrar sentado à minha porta. É na verdade em mim que deve operar-se a vossa redenção, se sou destinado a não vos permanecer estranho para sempre.

Tudo em mim vos lembra, tudo me fala de vós, desde que eu consinta em considerar a minha vida como uma conquista de meu Deus, desde que busque em mim os traços de vosso amor e as relíquias de vossa Encarnação. Vede: tenho nomes que só a vós pertencem; sou uma coisa santa, por causa de tudo o que abençoastes e consagrastes em mim.

Infeliz de mim, que sou tantas vezes expulso de mim mesmo por devaneios estúpidos, preocupações, cóleras e pesares! Por que passo a maior parte de meus dias numa espécie de sonambulismo estranho, sem que meus gestos sejam verdadeiramente meus, e sem que minhas conversas contenham mais que palavras?

Não vivo em profundidade. Meu cenáculo está profanado. Introduzi nômades em vossa morada; e o infiel acampou em Sião. Só vós podeis repelir o invasor e restituir-me a mim mesmo no recolhimento pacífico.

Olhos fechados – Não deveria eu habituar-me ao gesto que será o último de minha vida, e para não faltar aos divinos encontros, não deveria vigiar os caminhos de minha alma e só guiar-me pela luz do Cordeiro? O recolhimento ensinar-me-ia a estimar a fé, curar-me-ia de meus frenesis impotentes e eu fecharia os olhos como aqueles que já não duvidam e consentem em morrer.

Apressai em mim o momento da paz. É preciso que ela venha na sua hora, como as espigas que amadurecem todas no mesmo dia em toda a extensão da seara. Só estarei tranquilo quando eu compreender que nada me falta de tudo aquilo que devo ter, quando meus desejos não forem mais vastos que a vossa vontade, e meus tesouros cumularem todos os meus desejos.

No dia em que não possuir nem ver outra coisa senão vós, então compreenderei – de olhos fechados – que é muito bom ser vosso filho.

* Texto extraído do livro A oração de toda hora, do jesuíta belga Pierre Charles (1883-1954). Editora Flamboyant, 1962.

A história se repetindo?

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Em 1963-64, milhões de brasileiros nas ruas faziam as “Marchas da família com Deus pela liberdade”, enquanto comunistas e simpatizantes articulavam-se (desde 1961-62) para tomar o poder e implantar a “ditadura do proletariado”.

Hoje, milhões de verde-amarelo nas ruas gritam “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, enquanto bandidos de toda espécie compram veículos de comunicação, pesquisas e pessoas para tentar fraudar a eleição. Em 2003, o sinistro José Dirceu, chefe da Casa Civil, hoje condenado a décadas de prisão, dizia: “nosso plano de governo é para 30 anos”.

O que poderá acontecer, caso as malditas urnas eletrônicas sejam “trabalhadas” para não refletirem a escolha da vasta maioria da população? Vem-me à mente agora o que disse a rainha Ester a seu tio Mordechai, no livro sagrado de judeus e cristãos:

“Vá e reúna todos os judeus que estiverem em Susã, e jejuem por mim. Não comam nem bebam nada durante três dias, nem de noite nem de dia. Eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei falar com o rei, ainda que seja contra a lei; se eu tiver de morrer, morrerei.” (Ester 4, 16)

CARTA ABERTA ao Exmo. Ministro do STF Luís Roberto Barroso (Ref: ADI 4275)

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Rio de Janeiro, 26 de março de 2018
Senhor Ministro,

No dia 02 de março passado enviei um e-mail para a chefia de seu gabinete. Como até hoje não recebi resposta, escrevo-lhe esta carta aberta. Gostaria de saber se V. Ex.ª realmente pronunciou a frase abaixo, conforme noticiado pelo jornal O GLOBO em 01/03/2018:

“Hoje é um dia muito importante para o Supremo… DISCRIMINAR ALGUÉM POR SER TRANSEXUAL, QUE É UMA CONDIÇÃO INATA, É COMO DISCRIMINAR ALGUÉM POR SER LATINO-AMERICANO, OU POR SER NORTE-AMERICANO, OU POR SER ÁRABE. PORTANTO, FOGE À RAZÃO.”

Custa-me crer que tal coisa tenha sido dita por V. Ex.ª. Por definição, transexualidade NÃO É inata! Ademais, é impossível não discriminarmos um transexual de alguém que não o seja, ou um árabe de um latino-americano: etimologicamente, discriminar significa “perceber diferenças, distinguir, discernir” (e não “desprezar”). De forma similar, o ‘gênero’ ou a transgeneridade não são inatos, pois não estão vinculados à biologia.

Com o intuito de minimizar os desentendimentos que o assunto tratado pela ADI 4275 têm causado na sociedade (notadamente, a confusão entre ‘sexo’ e ‘gênero’), aproveito a ocasião para sugerir, em relação ao registro civil da população:

1) Que seja permitida em cartório a mudança de NOME, de acordo com a ‘identidade de gênero’ da pessoa, ou seja: como ela deseja ser reconhecida pela sociedade.

2) Que seja mantido inalterado e inalterável o campo SEXO (masculino/feminino) nos documentos oficiais (a não ser em casos de cirurgia de redesignação sexual), independentemente da ‘identidade de gênero’ que a pessoa assuma.

3) Opcionalmente, pode-se até incluir o campo GÊNERO nos documentos – embora eu não enxergue a necessidade ou utilidade disso.

Respeitosamente,
Oswaldo Viana da Silva Jr

– Historiador, servidor público e autor do livro: Deus na escola pública: a polêmica do ensino religioso no Brasil (2015)

Escola sem partido?

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Os pais têm autoridade máxima sobre a educação de seus filhos enquanto forem responsáveis por eles. Isso inclui os valores e as crenças. Os filhos até têm o direito de discordar, mas não o de desobedecer, enquanto estiverem sob o mesmo teto. Nesse sentido, o professor é um delegado da autoridade paterna e materna. O que o socialismo e as esquerdas em geral defendem é que o Estado tenha mais autoridade sobre os jovens do que as famílias. Essa é a raiz de todo o problema levantado pelo movimento Escola Sem Partido.

“Escola sem partido” não é sinônimo de escola sem política. O objetivo do Programa Escola sem Partido é, simplesmente, coibir incontáveis abusos que muitos professores cometem contra seus alunos (e os pais destes), em nome de uma “liberdade de expressão”. Uma coisa é a expressão de uma preferência ou ponto de vista político; outra bem diferente é a distorção ou ridicularização dos que pensam diferentemente sobre a questão. O respeito à divergência de opiniões, ou melhor, o respeito às PESSOAS que as expressam é, afinal, uma arte que precisamos aprender e reaprender a cada momento.

05/jun/2017

Gender, quem és tu? Ou: Caindo no conto do gênero…

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Capa de livro lançado recentemente no Brasil, indispensável para uma compreensão abrangente do tema. O original francês é de 2012: http://ecclesiae.com.br/gender-quem-es-tu

Resolvi transcrever, com algumas alterações para melhor compreensão, trechos desta entrevista publicada em abril de 2014 pela agência ZENIT, “Caindo no conto do gênero”, como forma de apresentar o assunto para o público não inteirado, visando aumentar o interesse pela questão:

ZENIT: Em que consiste a “Teoria de gênero”?

R: Sintetizando em poucas palavras, a teoria de gênero consiste no esvaziamento jurídico do conceito de homem e de mulher. A teoria é bastante complicada, e uma excelente explicação desta se encontra no documento “Agenda de gênero”. Contudo, a ideia é clara: eles afirmam que o sexo biológico é apenas um dado corporal de cuja ditadura devemos nos libertar pela composição arbitrária de um gênero.

ZENIT: Quais as consequências disso?

R: As consequências são as piores possíveis! Conferindo status jurídico à chamada “identidade de gênero” não há mais sentido falar em “homem” e “mulher”; falar-se-ia apenas de “gênero”, ou seja, a identidade que cada um criaria para si. Portanto, não haveria sentido em falar de casamento entre um “homem” e uma “mulher”, já que são variáveis totalmente indefinidas. Mas, do mesmo modo, não haveria mais sentido falar em “homossexual”, pois a homossexualidade consiste, por exemplo, num “homem” relacionar-se sexualmente com outro “homem”. Todavia, o “homem 1” não seria homem, nem tampouco o “homem 2” o seria.

ZENIT: Então aqueles que defendem a teoria de gênero em nome dos direitos homossexuais estão equivocados?

R: Exatamente! Eles não percebem que, uma vez aderindo à teoria de gênero, não haverá sequer motivo em combater a discriminação. Nas leis contra a discriminação, eles querem discriminar alguns que consideram mais discriminados. Contudo, não há mais sentido em diferenciar condições e papeis, tudo se vulnerabiliza! Literalmente, eles caíram no conto do gênero. (…) Em poucas palavras: a teoria de gênero está para além da heterossexualidade, da homossexualidade, da bissexualidade, da transexualidade, da intersexualidade, da pansexualidade ou de qualquer outra forma de sexualidade que existir. É a pura afirmação de que a pessoa humana é sexualmente indefinida e indefinível.

ZENIT: Então a situação é muito pior do que imaginamos…

R: Sim. As pessoas estão pensando em “gênero” ainda nos termos de uma “identidade sexual”. Há outra lógica em jogo, e é por isso que ninguém se entende. Para eles, a ideia de “identidade sexual” é apenas um dado físico, corporal. Não implica em nenhuma identidade. Conformar-se com ela seria “sexismo”, segundo a própria nomenclatura deles. A verdadeira identidade é o “gênero”, construído arbitrariamente. Todavia, este “gênero” não se torna uma categoria coletiva. É totalmente individual e, portanto, indefinível em termos coletivos. Por exemplo, alguém poderia se declarar gay. Para os ideólogos de gênero isso já é uma imposição social, pois a definição de gay seria sempre relativa a uma condição masculina ou feminina previamente estabelecida. Portanto, uma definição relativa a outra, para eles, ditatorial. Não existiria, tampouco, a transexualidade. Esta se define como a migração de um sexo para outro. Mas, dirão os ideólogos de gênero, quem disse que a pessoa saiu de um sexo, se aquela expressão corporal não exprime a sua identidade construída? Portanto, para eles, não há sequer transexualidade. Gênero, ao contrário, é autorreferencial, totalmente arbitrário.

Alguém dirá que não há lógica isso. Realmente, a lógica aqui é “ser ilógico”. É o absurdo que ofusca nossa capacidade de entender.

Como se demonstra no estudo que mencionei, o grande objetivo por trás de todo este absurdo – que, de tão absurdo, é absurdamente difícil de ser explicado – é a pulverização da família com a finalidade do estabelecimento de um caos no qual a pessoa se torne um indivíduo solto, facilmente manipulável. É uma teoria que supõe uma visão totalitarista do mundo.

FONTE: http://www.zenit.org/pt/articles/caindo-no-conto-do-genero

Literatura: Um dia na vida de Ivan Denissovitch

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Ivan Deníssovitch Chukhov é prisioneiro em um campo de concentração russo durante a 2ª Guerra Mundial. A narrativa conta um dia na vida do protagonista, do momento em que acorda até a hora em que vai dormir. O autor desenvolve o relato com muita propriedade, pois ele mesmo foi prisioneiro entre 1945 e 1953, sob o governo de Josef Stálin.

O livro é tão bem escrito e tem um senso de humor tão incrível que até parece a descrição de um acampamento de escoteiros! É sensacional. Lançado em uma revista na União Soviética em 1962, o romance foi a primeira obra publicada no país relatando a vida dos prisioneiros políticos durante a era stalinista (1924-1953). Garimpei algumas informações sobre o autor: Alexsander Soljenitsin nasceu em 1918 numa cidade próxima de Moscou. Formado em Física, era professor de matemática quando foi preso e condenado a 10 anos de trabalhos forçados, por ter feito uma piada sobre Stálin em uma correspondência particular.

Logo após o lançamento de Ivan Denissovitch, o autor foi aclamado no país como um grande escritor (governo de N. Krushov, crítico do stalinismo e seus crimes). Com o passar do tempo, porém, gradualmente foi sendo rejeitado, e seus livros (Pavilhão de cancerososO primeiro círculo) foram proibidos pelo governo. No entanto, cópias de suas obras conseguiram chegar ao Ocidente, obtendo grande repercussão. O Prêmio Nobel de Literatura de 1970 lhe foi concedido pela Academia sueca sob intensa pressão contrária do governo soviético: Soljenitsin não pode sair do país para receber o prêmio.

Em O primeiro círculo, ele escreveu: “Possuir um grande escritor equivale para um país ter outro governo. Eis porque nenhum governo nunca gostou dos grandes escritores, mas só dos pequenos”. Soljenitsin confessou que o desejo de escrever sobreveio-lhe muito cedo, “bem antes de compreender o que é um escritor e por que escreve”.

Georges Nivat, professor de Literatura russa na Universidade de Paris, escreveu sobre o autor: “Antes de tudo, A. S. visa a destruir os tabiques que encerram o homem, que o isolam. E de todos os tabiques, o mais espesso é o da perversão da linguagem humana. O mundo está atrozmente doente, não sabe mais se comunicar, perdeu o dom do diálogo, da piedade, da caridade. (…) Todo o esforço de A.S. romancista consiste em restabelecer a comunicação entre os homens da sociedade que ele descreve, em revelar o riacho subterrâneo da justiça. O que ele acusa em primeiro lugar é a mentira. (…) Ele nunca é tão severo em sua obra como ‘para com os literatos da mentira, que desviaram a literatura (…)’.”

Em 1973 foi publicada sua obra mais famosa, Arquipélago Gulag, uma descrição minuciosa do sistema dos campos de concentração soviéticos, pela qual foi exilado de seu país. Viveu recluso com sua esposa numa região rural dos Estados Unidos, tornando-se um crítico feroz do estilo de vida capitalista norte-americano. Morreu em agosto de 2008.

Para nossa felicidade, seus livros podem ser facilmente encontrados em sebos. Vivas à boa literatura universal!

 

* As citações acima são da introdução da edição brasileira de 1973 de Um dia na vida… (Editora Opera Mundi).