Ainda somos tribais

No dia 30/01/2019 o jornal Gazeta do Povo (Paraná) publicou uma excelente e esclarecedora entrevista do filósofo Francisco Razzo com o biólogo e geneticista Eli Vieira. Recomendo a leitura completa. Alguns trechos:


Nesta entrevista você terá a oportunidade de conhecer uma visão muito provocadora sobre o atual debate da transexualidade, como a biologia pode nos ajudar a pensar a construção da identidade, por que o relativismo é simplesmente um absurdo, como as “minorias” devem ser protegidas e quais os riscos sociais das chamadas políticas identitárias.

– Como você entende o atual debate da transexualidade?

Eli: É uma guerra de absurdos sendo atirados de todos os lados…

– Há um “lugar-comum” que diz que “a teoria de gênero não pode ter respaldo na biologia”; afinal, qual a importância da biologia na construção da identidade de gênero (se é possível falar assim)?

Eli: Estou de acordo com a filósofa Helena Cronin: a invenção do termo “gênero” só nos atrapalhou a entender melhor o sexo. O sexo, em seres humanos, é um fenômeno complexo o suficiente para ter expressões sociais e culturais…

– Na sua opinião, as chamadas “minorias” devem ser protegidas politicamente?

Eli: À primeira vista parece que sim, se houver evidência de que são alvo diferencial de dificuldades que não ocorrem aos outros cidadãos…

– Quais os riscos das “políticas identitárias” para o desenvolvimento do trabalho científico?

Eli: (…) Pelo que indicam as evidências, não é o racismo, a homofobia, ou a misoginia que estão em grande parte nos genes, mas uma tendência ao tribalismo. Nós somos capazes de usar qualquer coisa, inclusive identidades políticas abstratas, para nos dividirmos em tribos, passando a agir de forma condescendente/simpática a quem consideramos confrades e de forma hostil/desconfiada a quem rotulamos como estranhos ao nosso grupo. São vieses de fábrica da nossa natureza…

Insistir nos marcadores de identidade ao fazer política… é receita certa para exacerbar racismo, homofobia, misoginia etc. Ao menos em se tratando de marcadores de identidade que são ideias, mudar de ideia é possível, embora raro, quando o tribalismo tem essa natureza.

Quando o tribalismo é baseado em características identitárias que não escolhemos e das quais não podemos nos livrar, o prognóstico de longo prazo é o desastre, mesmo que a intenção de curto prazo seja a defesa de oprimidos.”

www.gazetadopovo.com.br/colunistas/francisco-razzo/permanecermos-tribais/

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