Um vídeo que recebi: “O casamento homossexual é prejudicial à sociedade?”

Em relação ao assunto do post anterior, recebi de um amigo a indicação do vídeo abaixo, (3’50”), em que se discute a questão: “O casamento homossexual é prejudicial à sociedade como um todo?”

Três frases apresentadas nesse vídeo chamaram a minha atenção:

A dificuldade aqui… é que as pessoas precisam ver as consequencias de suas ideias, a longo prazo.

Há duas possíveis respostas à pergunta ‘O que é o casamento?’

a) Ou ele é uma coisa específica;

b) Ou não se trata de uma coisa específica, isto é, pode ser tudo e qualquer coisa que alguém queira.

Uma vez que legalmente dissermos que não há distinção entre um casal heterossexual e um casal homossexual, porque podemos definir casamento da maneira que quisermos, então o céu se torna o limite… e o governo irá IMPOR isso.

Sem dúvida, essa é uma das GRANDES questões do nosso tempo.

Vídeo: www.youtube.com/watch?v=iHYxcLupbgk

“O casamento gay não tira o seu direito de ser hétero”: comentários

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Na semana passada, li um artigo muito bem escrito sobre o assunto acima, neste site:

http://papodehomem.com.br/o-casamento-gay-nao-tira-o-seu-direito-de-ser-hetero/

Reproduzo aqui a minha conversa com o autor. É muito bom poder debater assuntos polêmicos assim, de uma forma amistosa! Isso não tem preço… 🙂

Alô, Tiago Xavier,

Sua argumentação é muito boa, por isso me animo a comentar algumas coisas:
primeiro, a sua frase “A sociedade avança na medida em que reconhece que não
existe uma união [sexual] intrinsecamente boa ou natural“.

Essa afirmação não se sustenta, porque nós – a humanidade e a própria natureza como um todo – só chegamos até aqui (só “avançamos”) por causa da complementaridade dos sexos, masculino-feminino. A própria etimologia atesta isso: “sexo remete-nos ao verbo latino secare (“cortar”, “dividir”, “separar”)”; ‘sexus’: “gênero, estado de ser macho ou fêmea, pois ele define a raça humana em duas partes” (via google). Rigorosamente falando, no sentido da palavra, uma relação ‘sexual’ só existe entre seres de sexos diferentes! (Alguns animais marinhos se reproduzem de forma assexuada). É por isso que se diz que a relação “heterossexual” é natural. Aliás: sob a ótica acima, “relação sexual heterossexual” é redundância.

E isso nos leva a outra questão: é óbvia (ou deveria ser) a importância da sexualidade (macho-fêmea) para a continuidade da vida. É por isso que todas as culturas humanas, desde a pré-história, sempre entenderam o casamento como um contrato entre homens e mulheres (mono ou poligâmicos). Relacionamentos afetivos entre pessoas do mesmo sexo sempre tiveram (e tem) seu lugar, mas jamais foram equiparados ao casamento. Todos os homossexuais devem ter seus direitos civis plenamente assegurados, mas não considero um avanço considerarmos uma relação homoafetiva como um “casamento”. Taí: por que não a chamarmos simplesmente de “relação homoafetiva”, com pleno respaldo jurídico?

Para finalizar: um tema subjacente em todo o seu texto foi sobre a questão da liberdade. Eu gostaria de lembrar a todos que a liberdade nunca foi e nem é um fim em si mesma. “Liberdade para que?”, já perguntou alguém. Queremos ser livres de que, de quem, e para fazer o quê com nossa liberdade? Essa é, creio eu, a grande questão de nossas vidas.

Forte abraço!

( A resposta do Tiago: )

Oi Oswaldo, valeu pelo comentário.

Não disse que o sexo “heterossexual” é desprovido de importância. Disse que deixar as pessoas se unirem de outra forma diferente da heterossexual não diminui a importância dela (daí o titulo).

Sobre a nomenclatura, eu concordo que seja uma questão secundária. Por mim, reconhecendo-se os direitos, pode chamar a união homoafetiva de qualquer coisa. Mas existe um ponto sensível ai: ao dar um nome diferente, cria-se uma aparência de diferenciação que não me parece produtiva. Infelizmente temos a tendência de classificar as coisas e atribuir valores diferentes às categorias. Isso fica problematico no campo do discurso. Acho mais fácil que coisas idênticas sejam chamadas pelo mesmo nome.

Já o negocio da liberdade se relaciona com a visão de Stuart Mill sobre o tema. Dá pra resumir dizendo que se algo não prejudica o outro, não deve ser proibido. Tem link no começo do post.

Um abraço e continue comentando.

( Minha resposta à resposta: )

Oi Tiago, você tocou no ponto-chave: “Acho mais fácil que coisas idênticas sejam chamadas pelo mesmo nome”. Mas homo e heterossexualidade não são coisas idênticas…

Também não há problema algum em classificarmos e atribuirmos valores às coisas, ou criarmos categorias para elas: as ciências fazem isso o tempo todo, e nós também, até inconscientemente. O problema é quando alguém faz uso disso para desprezar ou oprimir os outros… E, se não estivermos atentos, mesmo eu ou você podemos cair nesse erro.

Por fim, a liberdade: eu até concordo com o Stuart Mill (ao menos em parte), mas creio que ele não atingiu o cerne da questão. Não me recordo agora de nenhum autor para lhe indicar, mas gostaria de deixar algo para reflexão: nós não somos nem nunca seremos absolutamente livres, nem mesmo tão livres quanto pensamos ou gostaríamos de ser. No fundo, nossa grande liberdade humana é esta: somos livres para escolher a quem iremos servir, ie, quem vai ser nosso senhor, nosso “dono”. (Isto soa um tanto metafísico? E é mesmo…)

Abraço!

(Agora, passo a palavra a vocês, amigos leitores…)